De
Foi tão depressa que nem te vi chegar. E agora é difícil fechar a porta contigo fora. Tenho-te todos os dias e não te tenho nunca. E tenho saudades. Saudades daquilo que quase ainda é um presente, sobretudo porque passado é não ser. Nunca foi. E eu soube-o desde sempre. Desde aquele dia em que disseste aquelas palavras com a tua boca... Não, não o digas agora. Estou a ouvi-lo... Estou... ainda gostamos... Não o digas mais. Pára. Não quero saber. Acreditei que podia fazer-te esquecer. Acreditei que era verdade e agora só consigo lembrar-me de quão feliz eu fui, ainda que por escassos momentos. Uma felicidade como nunca tinha sentido. Um sentimento como nunca experimentei. Uma vontade de estar, de tocar, de ser em ti a melodia e o sopro da brisa do mar. De ter em ti todas as palavras, todos os presságios do fim mas sem os recear porque o destino. Porque é ele quem me controla, foi ele quem me levou até ti. Quem te trouxe até mim já sabendo como seria o fim. E eu também o soube, qual vidente, que seria assim. E agora sinto a dor do teu corpo e recordo em cada instante o momento em que me dei como nunca o tinha feito antes. E como tudo parecia tão natural. Como se já tivesse sido escrito pelas estrelas. Mas afinal eram nuvens aquilo que eu via no céu.

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